“Argentina: Professores lideram estratégia nacional para Educação Ambiental Integral.”

(FOTO: Education International)

A Educação Ambiental, alicerçada no paradigma do Pensamento Ambiental Latino-americano, possibilita que os saberes da comunidade sejam discutidos, resgatando suas vozes, trajetórias, expectativas, experiências, demandas, preocupações e propostas, a fim de evidenciar os conflitos ambientais no território. , desmantelando práticas naturalizadas no dia a dia, gerando diálogo e articulando diferentes saberes disciplinares de forma a reimaginar e alterar nossas práticas.

(Repostado de: Education International. 3 de junho de 2021)

De: Graciela Mandolini

Vivemos uma época histórica em que se desenrolam constantemente todo tipo de emergências: ambientais, climáticas, energéticas, sanitárias, econômicas ... Tudo isso converge no que muitos autores definem como o crise de civilização. A agenda ambiental tem ditado o ritmo e os conflitos ambientais estouraram no ambiente escolar, surgindo com velocidade e persistência sem precedentes.

Se entendermos a educação como um processo em permanente construção, poderíamos dizer que os professores na Argentina estão realizando algumas ações importantes em termos de educação ambiental integral. Incluem intervenções em desenhos curriculares, bem como em projetos e programas que visam incorporar a dimensão ambiental para o desenvolvimento sustentável como parte das propostas de ensino-aprendizagem.

Escola de Formação de Professores e Sindicatos

Por 25 anos, o Confederación de Trabajadores de la Educación de la República Argentina(CTERA) [Confederação de Trabalhadores da Educação da República Argentina] gerou processos de formação de professores em Educação Ambiental: cursos de pós-graduação e especializações em educação ambiental para o desenvolvimento sustentável, em cooperação com universidades públicas, encontros presenciais com professores em serviço, projetos, programas e ações de educação ambiental para alunos e professores do ensino médio ... também foram realizadas atividades práticas, recreativas e de aprendizagem, como plantio de árvores, atividades de compostagem, etc.

O sindicato tem trabalhado com dedicação em um projeto que visa criar espaços de construção de conhecimento que promovam um diálogo de desenvolvimento de saberes e competências, consolidando a formação de professores em todos os níveis e modalidades do sistema de ensino formal, de forma a promover uma educação ambiental sustentável. desenvolvimento.

Este tema tem sido um dos pilares fundamentais das ações de formação promovidas pela Escola de Formação de Professores e Sindicatos “Marina Vilte” da nossa organização.

Inicialmente, no final da década de 1990, o CTERA produziu uma proposta de formação para um Curso de Especialização Avançada em Educação Ambiental para o desenvolvimento sustentável, em cooperação com uma universidade pública que oferecia palestras em âmbito nacional por meio de suas entidades de base. No espaço de formação, mais de 4,000 professores especializados em Educação Ambiental.

Pandemia e educação ambiental

Ao longo de 2020, à medida que avançávamos nas fases de isolamento e posteriormente de distanciamento social, no enfrentamento da pandemia, foi elaborada uma proposta pedagógica a partir de itinerários e percursos formativos, a considerar diferentes teorias e conceitos sobre o tema que nos afeta.

Em primeiro lugar, através de mecanismos concebidos para o efeito, a Secretaria de Educação do CTERA e diversas entidades de base ofereceram oportunidades de formação com recurso à metodologia coautoassistida, de forma que os professores sentiram que se tratava de um convite ao estudo e uma ocasião de aprendizagem ao longo da vida, sem se sentirem pressionados a atender a requisitos que poderiam criar uma sobrecarga de trabalho docente. Estes formatos formativos permitiram uma reflexão sobre a prática educativa, a partir dos interesses e motivações pessoais e de forma autorregulada.

Em segundo lugar, e em coordenação com o INFoD (Instituto Nacional de Formação de Professores), o CTERA aprofundou a proposta, avançando para a criação de um curso tutelado.

Em ambas as situações, considerou-se necessário considerar as condições particulares que levam à problematização do currículo da Formação de Professores, a partir das situações que aborda e analisa, da complexidade das tendências associadas e das práticas de significação, intervenção, investigação, extensão e transcendência, que lhe permitem interagir nas e com as comunidades de origem.

A Lei Pino Solanas abrange a interdependência de todos os elementos que compõem e interagem no ambiente; respeitar e valorizar a biodiversidade; capital próprio; reconhecendo a diversidade cultural; zelar pelo nosso patrimônio natural e cultural e exercer o direito a um meio ambiente saudável.

Lei Pino Solanas

O Congresso Nacional da Argentina aprovou recentemente a Lei Nacional de Educação Ambiental Integral. Esta lei, que leva o nome do cineasta argentino Pino Solanas, propõe uma política pública nacional “permanente, transversal e abrangente” para todos os estabelecimentos de ensino do país. Abrange a interdependência de todos os elementos que compõem e interagem no ambiente; respeitar e valorizar a biodiversidade; capital próprio; reconhecendo a diversidade cultural; zelar pelo nosso patrimônio natural e cultural e exercer o direito a um meio ambiente saudável.

A lei propõe o estabelecimento de uma Estratégia Nacional de Educação Ambiental Integral. Promove a criação e o desenvolvimento de Estratégias Jurisdicionais e levanta a questão de um Compromisso Ambiental Intergeracional. Também prevê a implementação, na agenda educacional, de ações de melhoria institucional. Afirma que qualquer proposta educacional deve se basear na educação de jovens e crianças. Este projeto estabelece claramente uma política pública que reforça o paradigma da participação cidadã para a sustentabilidade.

Educação ambiental, educação para a vida

Acreditamos que qualquer proposta, projeto ou programa de educação ambiental que realizemos deve, sem dúvida, interagir com a história, trajetórias, projetos institucionais, stakeholders, projeções locais e regionais, que lhe darão sentido e o tornarão único.

A Educação Ambiental, alicerçada no paradigma do Pensamento Ambiental Latino-americano, possibilita que os saberes da comunidade sejam discutidos, resgatando suas vozes, trajetórias, expectativas, experiências, demandas, preocupações e propostas, a fim de evidenciar os conflitos ambientais no território. , desmantelando práticas naturalizadas no dia a dia, gerando diálogo e articulando diferentes saberes disciplinares de forma a reimaginar e alterar nossas práticas.

O CTERA vê a Educação Ambiental para o desenvolvimento sustentável como o estabelecimento de critérios ambientais, como conscientizar sobre os conflitos ambientais, compreender a complexidade ambiental, como criatividade, admiração, empatia; significa pensar de forma interconectada; aprendendo enquanto você vive e aprendendo com a vida.

É uma proposta conceitual que se entrelaça e se integra ao trabalho metodológico. É por isso que disponibilizamos o conteúdo, apresentamos as dinâmicas e propostas do trabalho e estimulamos a participação é muito importante. Isso inclui:

  • Atividades recreativas que nos permitem expressar nossas sensações, emoções e sentimentos, nossos pensamentos mente-corpo
  • Ações que possibilitem desenvolver propostas onde a identidade se expresse de forma artística e criativa.
  • Cerimônias ancestrais que ocorrem, destacando a necessidade de nos reconectarmos com a natureza, reconhecendo-nos como filhos da Mãe Terra.
  • Participar de plantio de árvores, compostagem, reciclagem, recuperação de materiais, atividades de acampamento, etc.

As estratégias didáticas que podemos usar como educadores ambientais para enfrentar as questões, problemas e conflitos que nos afetam e nos desafiam, estão em constante construção. Nesse processo, muita busca é feita para garantir que a cultura e a natureza, professores, alunos, escolas e comunidade se apoiem, gerando processos criativos comprometidos com a realidade, promovendo a construção de processos de ensino - aprendizagem voltados para a construção de uma sociedade com base no meio ambiente, justiça social e, claro, curricular.

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